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1º de abril. Abro o Jornal Pequeno pela manhã e leio a notícia: “Salário mínimo vai a R$ 1.500,00”. José Linhares Jr., colega de aula e hospício, escreve sobre o dia da mentira. No trabalho, Valéria abre um site e lê: “Morre João Paulo II”. Cometi, imediata e inevitavelmente o poema abaixo.

 

FALÊNCIA

 

Me deram a notícia da morte do papa

No dia primeiro de abril

Quem viu, quem viu?

 

O papa já tava mais velho

Que a Brigitte Bardot

Mas será mesmo que ele se acabou?

 

Isso é mais um trote?

Ou é verdade mesmo que o papa morreu?

Rezem um rosário pelos pecados seus.



Escrito por Zema Ribeiro às 16h33
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ÊTA PORRA!

O título aí é uma frase sempre usada pelo Marcelino Freire. Êta danado! (essa é outra!). O negócio é o seguinte: para comemorar os cem mil acessos (isso merece realmente uma comemoração; um brinde, Marcelino e leitores!) o cabra - será o eraOdito?, como quem diz "será o benedito?" - está distribuindo alguns presentes. Fiquem ligados e acessem (link ao lado).

Escrito por Zema Ribeiro às 10h19
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DAS DUAS, AS DUAS

1. Trechos de VIVA CHICO, post de V. Lima em seu Estúdio Realidade (link ao lado), ontem, após ouvir a cópia de dois vinis de Chico Maranhão, por mim enviada a ele:

“O que dizer depois da audição de um disco de Chico Maranhão. Primeiro deve-se fazer uns 10 minutos de silêncio e depois chorar. Não sei como funciona meu sistema nervoso, mas toda vez que tenho contato com uma obra de arte que impressiona, choro de emoção. [...] Após colocar o disco no aparelho de som, um transe me colheu [...] o disco Lances de Agora é redondo, perfeito, uma pérola à altura de um Construção do Chico (o outro) Buarque e Estudando o Samba do Tom Zé [...]”

Fiquei sinceramente feliz.

 

2. Íntegra de e-mail enviado por Silvério Pessoa, “cumpade” – como nos chamamos e como ele autografou o “Micróbio do Frevo” para mim – ex-vocalista do Cascabulho, bom de música que só ele!

“Olá cumpade!
Sorte ter me encontrado!!!!!
Estou saindo para o RJ masterizar meu novo CD, Cabeça Elétrica, Coração Acústico; devo lançar em, agosto, setembro... Lindo CD com  canções minhas e participações de Lenine, Alceu, Dominguinhos, muita gente boa.
Do Rio saio em caravana pelo projeto Pixinguinha até 21/4, depois a partir de maio, tour pela Europa de 3 meses.
Tudo indo bem.
Vou te enviar um banner do Projeto.
Abraços,
Silverio Pessoa”



Escrito por Zema Ribeiro às 11h48
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CHAPEUZINHO VERMELHO

 

por Frederico Luiz (*)

 

"Começo por avisar: não assumo qualquer responsabilidade

pela exatidão dos fatos, não ponho a mão no fogo, só um louco o faria.

Não apenas por serem decorridos mais de dez anos,

mas sobretudo porque verdade cada um possui a sua,

razão também e no caso em apreço não enxergo perspectiva

de meio-termo, de acordo entre as partes."

(Tieta do Agreste - Jorge Amado, 1977)

 

“Um santo é um pecador morto, revisto e corrigido.”

(Ambrose Bierce, jornalista americano)

 

Certo dia, uma menina muito bonitinha e ardentemente vermelhinha tomou de um balaio de delícias que sua mãe havia prometido a vovó Ingrácia. Como fosse uma garotinha muito prestimosa e filha dedicada, a menina saiu em fogo pelo mato a cumprir prontamente sua obrigação de neta provedora e feliz. Mas Chapeuzinho era já também, em alguma medida, bem escolada nas artes da vida, e quando passou pela Vereda do Papagaio apanhou ali, junto a um pé de umbuzeiro, um marafo de catuaba que havia escondido para beber sob as estrelas, numa dessas noites de frio na floresta, namorando os periquitos. Entre as doçuras que levava, incluiu logo a garrafa do caloroso licor, para presenteá-la – pensou – a sua vovozinha, que já contava 70 anos e havia muito não acendia o facho.

Nem se fala, ainda mais, que entre suas trigueiras virtudes, a meninota tinha uma insaciável curiosidade por flautear entre caminhos escondidos, escuros e duvidosos. Vinha meio distraída, pensando no significado de palavras esdrúxulas – tais como concubinato, chumbregância, virilidade, libido e outras bocarras – quando o Lobo Mau a surpreendeu com esta cantada: "Onde vais, gracinha, nesse vestidinho tão elegante?". Mas ela se fez de desentendida. Era sonsa. Esticou o pescoço, como para capturar melhor as palavras do carnívoro, e redargüiu: "Falou comigo, gatinho?". Ele consertou: "Lobo, madame". Nesse instante, cometas riscaram o senso da pequena, seu juízo saltou ligeiro para fora da caçola e a razão escapou-lhe velozmente feito lebre perseguida. Foi aí que Chapeuzinho Vermelho caiu na floresta. No desatino, amaram-se.

(continua)



Escrito por Zema Ribeiro às 14h16
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No caminho comeram os doces: bicaram a cereja, gostaram o mel, provaram o beijo de limão e o quebra-queixos, chuparam cajus, mangabas e pitombas. Se lavaram no rio. Na parada, armaram uma travessura para pegar a velha. Foi quando, por um momento, o bicho-da-consciência quis morder o remorso na cabecinha dela, cismou arrepender-se. Mas seu companheiro de caçada lhe sugeriu que a vó era diabética... e além do mais não gostava de confeitos, pois preferia pastéis. Então seguiram.

Bateram à porta. Dominaram a provecta. Sendo hábil nos esforços marciais, depois que o monstro peludo enclaustrou a vovó no banheiro da casinhola, os amantes puseram-se a brincar, entre gostosas e demasiadas gargalhadas. Ela começava:

– Que mãos de macho você tem!

– São pra te tocar seguro, minha flor.

– E que belos ombros são os seus!

– São pra envolver o teu corpinho, boneca.

– Que par de olhos vivos, meu Lobo malvado...

– São para espiar tua nudez de menina, Chapeuzinho.

E foi assim que a vida antes monótona de uma simples filha de lenhador transformou-se numa picante aventura. Encerro neste ponto da narrativa porque daqui já se imagina o desfecho da estória. Pois foi na presente versão dos fatos, sem tirar nem pôr um acento, que o lobo carniceiro "comeu" a Chapeuzinho Vermelho. Nunca tal biografia seria útil para adormecer uma criança.

 

(*) Frederico Luiz quer ser escritor quando crescer, improvisa um pouco no violão vadio desde os 13, e ficou lembrado na família por haver publicado, aos dois anos de idade, este merencório e amargurado canto: “Ai, papai! o qu’é que eu faço da minha vida...?”. O pai não o entendeu naquela ocasião. O poeta daquele tempo fez o menino que hoje ele é.



Escrito por Zema Ribeiro às 14h15
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MAIS UMA DO RICARDO ALEIXO

Ricardo Aleixo, figura já citada neste espaço, linkado aí do lado, comete mais uma das suas. Confiram Einstein Remix no blog do poeta mineiro. Tô impressionado até agora com a perfeição do poema.

Escrito por Zema Ribeiro às 10h29
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LINK NOVO
(MAS MUITO MAIS QUE APENAS UM LINK)

Podem conferir aí do lado, o mais novo link aqui do Shopping: As Veias Abertas de Rogério Tomaz Jr. Tive o prazer de conhecê-lo quando trabalhávamos no Banco do Nordeste. Ele, estagiário da Assessoria de Comunicação da Superintendência Regional, à época, para os estados do Maranhão e Piauí; eu, bolsista de nível médio da agência São Luís-Centro. Ele, já metido com as confusões (sempre no bom sentido) da militância política, movimento estudantil e luta pela democratização da(s) comunicação(ões) no país; eu, ainda nem estudante de jornalismo, já metendo o bedelho no campo daquilo que se convencionou chamar de “jornalismo cultural” (até hoje não sei se faço isso). Pois bem, o moço hoje é Assistente em Comunicação da Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos – ABRANDH, continua com o texto melhor a cada dia. Em suma: cliquem no link aí ao lado e conheçam-no.



Escrito por Zema Ribeiro às 17h20
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Amanhã, neste espaço, a "Chapeuzinho Vermelho" de Frederico Luiz.
Por hoje, uma ficção do blogueiro. Até!

É SÓ PENSAR EM VIVI

 

O cronista tem andado meio poético esses dias. E isso não reflete necessariamente em criação. Pensa unicamente na vinda de Vivi para a semana santa. E pensa em cometer pecados em plena época de jejum católico. O cronista não consegue escrever sobre outra coisa. O cronista não consegue falar sobre outra coisa. O cronista não consegue pensar noutra coisa. Lembra carinhosamente dos olhos da musa, claros, belos, a própria luz. Pensava numa aula de Teorias do Jornalismo, onde o professor propusera aos alunos, pensar sobre o nada. E o nada, parecia para ele agora, ser tudo, já que sem Vivi, nada havia.

A semana santa batia à porta. O cronista foi batizado na igreja católica, mas, como ele mesmo diz ao ser indagado sobre sua religião, é um “católico não praticante”. Para vê-lo, basta ir a um bar do lado da Faculdade. Orgulha-se de tê-lo inaugurado: “Ela, aqui, não vendia cerveja. Dei a dica, anunciando a vinda do curso de Comunicação Social e seus alcoólatras para este prédio”.

Pouca gente sabe de Vivi. Mineira, mora em Fortaleza. Ele, ludovicense de nascimento e morada, de onde adora o ar provinciano. “Eu conheço meus ídolos e vizinhos”, orgulha-se. Dificilmente largaria a ilha do amor, embora não descartasse a possibilidade. “Amanhã não se sabe”, Beatles, ou “o amanhã a Deus pertence”, num raro acesso de catolicismo.

Vivi e o cronista se conheceram num emprego comum. Ela veio parar em São Luís, transferida, indo daí para a capital cearense. Ele, trocou a empresa por outra. Aqui, à época, timidez total, por parte dos dois. Depois, o contato por e-mails. Soltaram-se. Para se amarrar. Ele cometeu poemas. Ela viria passar a semana santa com ele; iriam para uma cidade do interior: uma turma de amigos, violão, lua, cerveja, paz e amor. “Infinito enquanto dure”.

O cronista precisa entregar seu texto semanal para o jornal. De tanto pensar em Vivi, desiste. Viaja, sem se preocupar. Desliga o telefone celular. “Na volta vejo o que acontece”, pensa, num raro momento em que desvia o pensamento de Vivi, já ao seu lado.



Escrito por Zema Ribeiro às 11h20
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