FESTA POLICIADA
"Dizem que ela existe pra ajudar dizem que ela existe pra proteger eu sei que ela pode te parar eu sei que ela pode te prender polícia para quem precisa polícia para quem precisa de polícia" (Toni Belotto, "Polícia", 1986)
"A polícia é a justiça de um mundo cão" (Mamonas Assassinas, "Cabeça de Bagre II", 1995)
"E o chefe da polícia pelo telefone mandou avisar que lá na Praia Grande tem A Vida é uma Festa! para perturbar" (Luiz Lobo, brincando com "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, ontem, ao retornar ao palco; trecho recuperado na memória do blogueiro, já comprometida à altura do acontecido)
(des)aviso: isso não é jornalismo!
E ontem A VIDA ERA UMA FESTA quando cinco policiais militares fardados aportaram na Praia Grande interrompendo a apresentação de Luiz Lobo, durante a sagrada celebração semanal; segundo eles, após uma reunião na SEMTHURB (órgão de urbanismo do poder municipal), ficou decidido que "vias públicas não poderiam ser obstruídas para o exercício da arte".
Mas peraí: e bares que ocupam ruas com mesas e cadeiras? Pode? Basta andar alguns metros para ver isso, na própria Praia Grande. E a via não estava obstruída. Até onde sei, por ali não é permitida a passagem de veículos, e qualquer pedestre passa, livre e tranqüilamente.
Como se já não bastasse a inexistência de uma política cultural clara por parte das esferas municipal e estadual do poder, querem silenciar a voz do povo. E bem diz o ditado, que essa é a voz de Deus.
"A Vida é uma Festa!" é um acontecimento que mescla as mais diversas formas de expressão artística. Acontece uma vez por semana, sempre às quintas-feiras, a partir de 20h30min, em frente à Cia. Circense de Teatro de Bonecos. A continuidade do projeto é fruto da vontade do povo, fato já percebido quando as apresentações aconteciam ainda no Bar de Seu Adalberto. Quem quiser comprovar, é só aparecer.
Depois de alguma conversa (não houve violência, pelo menos até a hora em que me retirei) e da intervenção de João Bentivi, Zé Maria Medeiros e cia. tiveram permissão para continuar. Mas não sem antes rearmar o palco, que ficou dentro da Cia. Circense. O povo permaneceu na rua, cantando, dançando e bebendo, essa a verdadeira essência da festa.
Escrito por Zema Ribeiro às 16h28
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