Das Cinzas à Paixão
Mais Cesar Teixeira, presença importante e constante por aqui. Letra de música sobre "fim", apesar de eu estar, digamos, numa fase de "(re)começos". Esse samba tá no disco de estréia de Serrinha e Cia.
Para Chico Piancó, Flaésia e eu mesmo
Não, não é proibido um peito ferido cantar sua dor sei que o teu carinho é um espinho e machucou.
Só fez derramar no chão este copo de ilusão em que eu me embriaguei riscou meu vinil meu peito se abriu não sei o pranto que chorei.
Nunca mais o meu fracasso será seu elevador não quero ser o palhaço de um circo que incendiou meu pranto apagou a chama sem querer das cinzas espero uma nova paixão renascer.
Escrito por Zema Ribeiro às 12h46
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Estilhaço(s)
Pra mesma garota que disse "olho de boi ponto zip ponto net". Um poema inspirado em comentários. É isso aí:
estilhaçou meus óculos de grau entre a sola de seu calçado e os paralelepípedos do chão sei que não fez isso "de mal" e assim, me fez recuperar a visão
e assim, pude vê-la, plena, bela e assim pude dizer-lhe que não que já não amava mais ninguém além dela, a quem de agora em diante só chamaria "meu bem"
Escrito por Zema Ribeiro às 17h32
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DA PAIXÃO DO CRONISTA
Nova edição do Almanaque JP Turismo nas bancas. No Quintal Poético desta edição, assino a presente, já lançada em "Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico". Dia 7 de setembro, relançamento da (s)obra, no Bumba Lanches (em frente ao Convento das Mercês), durante a realização da 3ª Semana Cultural do Desterro [Mais detalhes por aqui, em breve].
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O amor dói, é claro, mas dá prazer. É droga que vicia, é igreja que liberta. Sacro e profano no mesmo altar/terreiro. A antítese mais gostosa, como nos versos de Camões, musicados pela Legião Urbana. O cronista está apaixonado. "Mais uma vez", aporrinham alguns amigos. "Mas dessa vez é pra valer", retruca. O destino nos prega peças agradáveis. Digo isso por que é vontade do cronista namorar alguém que detesta as músicas que ele ouve; e pior: ele detesta as músicas que ela ouve. Tem andado com cara de bobo e bebido um bocado, arranhando os cotovelos no balcão de um bar vizinho à faculdade onde ambos estudam, à espera de sua musa; enquanto espera, ouve música ruim. O cronista tem escrito poemas quase diariamente; ela lê, e demonstra gostar. Cansado de escrever sobre uma mulher diferente a cada revista, o cronista quer fazer de sua musa, a musa eterna – ao menos enquanto dure, como já diria o saudoso poetinha. Fazê-la personagem. A sua "baixinha de olhos graúdos e brilhantes", como a "menina triste de olhos verdes" das crônicas de João Paulo Cuenca. Ela receia, "não serei mais uma?", deve se perguntar. O cronista imagina, pois vive também de ficção, embora saiba o quanto é real tudo o que sente por ela. O cronista não consegue se concentrar em nada. Começa a ler diversos livros, mas pensa tanto nela, que acaba desistindo antes do fim do primeiro capítulo; isso, quando consegue vencer a barreira da primeira página, por mais interessante que seja o livro. Só um romance interessa: o próprio. Outrora, palavrões em cada frase. Agora, só diz poemas. Não consegue escrever outra coisa que não poemas para a musa. E da redação, ligam: "cadê a crônica?". Detesta ser irresponsável e decepcionar. Mas desta vez não haverá crônica. Desistam, o cronista não mais escreverá. Virou poeta.
Escrito por Zema Ribeiro às 13h05
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