Shopping Brazil


Pra repetir sempre, tipo oração...

Tom Zé:

"na vida, quem perde o telhado
em troca recebe as estrelas"



Escrito por Zema Ribeiro às 18h39
[   ] [ envie esta mensagem ]




shit music (ou mpbosta)

alquimista às avessas
transformas música em merda

Escrito por Zema Ribeiro às 09h49
[   ] [ envie esta mensagem ]




Toque

Amanhã, 9/11, às 19h30min, no Kitaro (Lagoa), noite de autógrafos d"As melhores crônicas do claraonline". Na obra, Celso Borges, Gisele Brasil e Itevaldo Jr., entre outros.

Escrito por Zema Ribeiro às 09h54
[   ] [ envie esta mensagem ]




O Túmulo de Merneptah

[Matéria publicada no Jornal Pequeno/S.Luís-MA, em 6/11/2005. Disponibilizada pelo autor para divulgação]

O projeto de um deputado maranhense que reintegra o Convento das Mercês ao patrimônio público deverá ser votado a qualquer momento pela Assembléia Legislativa do Maranhão. Relíquia do séc. XVII inaugurada pelo Pe. Antônio Vieira, o prédio colonial foi grilado em 1990 pelo senador José Sarney, que ali decidiu construir o seu próprio mausoléu – o que motivou o repúdio da população de São Luís e uma ação do Ministério Público Federal.

por Cesar Teixeira *

A vaidade de José Sarney tornou-se faraônica morbidez quando ele decidiu se apropriar de um prédio do séc. XVII que pertenceu à Ordem dos Mercedários, no centro histórico de São Luís, para ali construir o seu mausoléu e dar continuidade ao delírio da oligarquia. Assim, após sua morte, eleitores desenganados e fiéis puxa-sacos para lá levariam ex-votos e círios, quitando as promessas feitas àquele que a si próprio beatificou para perpetuar-se num trono de mármore. Causa mortis: apoplexia por abuso de ato ilegal.

O Convento da Assunção da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora das Mercês e da Redenção dos Cativos foi inaugurado em 1654 pelo Padre Antônio Vieira, missionário jesuíta que haveria de enfrentar a fúria da Inquisição, citado pelo Papa João Paulo II em sua homilia quando passou pelo Maranhão há quatorze anos: “Este monumento nos lembra um dos marcos fundamentais da evangelização na América Latina”.

Lá também funcionou o Pequeno Seminário de N. S. das Mercês na segunda metade do séc. XIX. O prédio, medindo na época 5.605 m2 de área construída, foi vendido ao Estado por quatro contos de réis, em 1905, aquartelando a Polícia Militar por várias décadas, e, desde 1974, está no livro de tombos do Patrimônio Histórico da União. No fim dos anos 80, depois 9,5 milhões de dólares gastos na sua restauração, o governo doou ilegalmente o imóvel à Fundação da Memória Republicana, criada em fevereiro de 1990 por Sarney, às vésperas de devolver a faixa presidencial.

Queria voltar com cetro de ouro, feito um novo Merneptah, o Faraó do Êxodo (no Egito eram os hebreus, no Maranhão são os trabalhadores rurais que fogem da fome e da escravidão instituída pela dinastia Sarney).

Com o aval da Assembléia Legislativa – que aprovou em 1990 e 1993 as leis forjadas nos governos Cafeteira, João Alberto e Lobão –, a Fundação José Sarney recebeu de mão beijada, e sem contrapartida, um monumento colonial recuperado com dinheiro público para depositar um acervo de envergadura, que traz agregado restolhos da Nova República, objetos pessoais e álbuns de família, obtendo ainda do Estado uma subvenção de 80 mil reais por mês.

Sem falar nos prêmios do orçamento federal despejados diretamente em sua cripta; nas festas juninas da Vale do Rio Doce (Projeto “Vale Festejar”) e do Banco do Brasil para o marketing político da filha Roseana Sarney, e no aluguel do Convento das Mercês para shows, festivais e até casamentos, sem qualquer prestação de contas – segundo tabela vigente, o aluguel para uma festa de casamento, por exemplo, custa até R$ 6 mil reais.

Ali também foi realizada a mostra “Brasil 500 Anos”, administrada pela empresa Brasil Conection, do banqueiro Edemar Cid Ferreira (Banco Santos), padrinho do casal Roseana-Jorge Murad. Vale ressaltar que a Fundação José Sarney é dirigida por uma associação formada por parentes, amigos e correligionários de Sarney, que é o seu presidente vitalício.

(continua)           



Escrito por Zema Ribeiro às 12h57
[   ] [ envie esta mensagem ]




LUTA PELO RESGATE
 

Após longo silêncio da imprensa e das autoridades, o Ministério Público Federal ajuizou em agosto de 2004 uma Ação Civil Pública pedindo a reintegração do prédio ao patrimônio estadual com base em decreto-lei de 1937, que impede a doação de bens tombados pela União a instituições privadas. Na Assembléia, o deputado estadual Aderson Lago (PSDB-MA) apresentou projeto revogando as leis que transferiram o Convento para a Fundação José Sarney, violando a Constituição do Estado.

O projeto recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça, devendo ser colocado na pauta de votação do Plenário a qualquer momento.

Há poucos dias, vassalos do Faraó chegaram a mobilizar incautas crianças e mães do bairro do Desterro, onde está localizado o Convento, para protestar contra o projeto de Lago em frente à Assembléia, alegando que sua aprovação inviabilizaria os programas culturais da Fundação José Sarney – tudo divulgado pela TV Mirante, propriedade da dinastia. Circulou ainda um manifesto de igual teor assinado por intelectuais e artistas amigos do “estadista” fora-da-lei.

Não falaram dos tapumes colocados numa rua ao lado, segundo denúncias, para ampliar ilegalmente os limites do imóvel, cujo pátio hoje serve de estacionamento privativo para um restaurante pertencente a Jorge Murad e à senadora Roseana Sarney, pondo sob suspeita os objetivos da Fundação.

Caberia então ao governador José Reinaldo, após a devolução do prédio ao Estado, manter em atividade a Escola de Música do Bom Menino, que funciona lá, e já recebe apoio do Poder Público. Desde que administrado democraticamente, o Convento das Mercês pode ser otimizado como espaço cultural para abrigar projetos comunitários, bibliotecas, exposições, concertos, oficinas profissionalizantes, seminários, espetáculos etc. Sem desfigurar as manifestações folclóricas (manipuladas para fins eleitoreiros) e privilegiar igrejinhas.

O que não tem sentido manter é a Fundação José Sarney, ou a “sua” Memória Republicana. O senador tem que procurar outro canto para guardar seus mimos e construir mausoléu. Por que não a ilha de Curupu? O museu republicano, por sua vez, seria mais adequado ao Distrito Federal, talvez ao Rio de Janeiro, por razões históricas. De qualquer forma, vários articulistas posicionaram-se nacionalmente contra a apropriação do Convento pelo oligarca.

(continua)      



Escrito por Zema Ribeiro às 12h55
[   ] [ envie esta mensagem ]




VOZES DO ALÉM

No artigo “Vontade de Liberdade”, publicado no jornal O Globo (Opinião-12/03/05), Luís Carlos Prestes Filho, coordenador do Núcleo de Estudos da Economia da Cultura da PUC-Rio, exalta a arquitetura do Convento das Mercês, mas protesta contra a “grilagem” de espaço público para a construção, ainda em vida, do mausoléu para José Sarney. “Túmulo nada humilde, se comparado às lápides de chão doadas por benfeitores de antigas igrejas e catedrais”, escreve.

Quando esteve recentemente em São Luís para a I Conferência Municipal de Cultura, Prestes Filho observou, com ironia: “No mesmo momento em que na Rússia se faz um movimento para deixar Lênin no seu mausoléu, aqui no Maranhão o movimento é para tirar Sarney do seu”.

Essa indignação além-fronteira ratifica por que centenas de estudantes, no final de janeiro, carregaram em passeata o caixão dos 40 anos da oligarquia, fazendo o seu enterro simbólico no portão do Memorial José Sarney. Aliás, o fato de pôr seu nome em tudo – pontes, tribunais, viadutos, escolas, praças, ruas, avenidas e creches – revela uma obsessão doentia da família em eternizar suas máscaras terrenas, burlando leis e fabricando méritos.

Desta vez a dinastia pretende transformar um monumento público de 351 anos em cemitério particular, antecipando banquetes fúnebres, enquanto uma população de 68, 42% de miseráveis jaz faminta, sem terra, emprego ou escola, em guetos e favelas – muitas delas com nomes da família Sarney. População que constitui a base da triste pirâmide social que o Faraó ajudou a construir em 40 anos, e no alto da qual pretende reinar para além da morte.

A falta de ética política e a extensa folha de maldades provam que Sarney é, e sempre foi, o seu próprio túmulo. Se ele não for duplamente sepultado nas Mercês, o risco que corre o povo de São Luís é cruzar todas as sextas-feiras com uma múmia enlouquecida, assombrando a cidade no velho Galaxie Landau de 199 cavalos herdado do regime militar, depois de ter cassado o mandato de Ana Jansen e levado sua carruagem de bestas decapitadas para um desmanche.

Cabe ao parlamento e à justiça exorcizar esse fantasma. Ou teremos que invocar o Padre Antônio Vieira, inimigo nº 1 das mentiras que se abateram sobre o Maranhão como pragas do Egito, cobrindo-o de trevas por mais de três séculos. Para a redenção definitiva dos cativos, não faria mal um novo puxão-de-orelha (com sermão e tudo) no tubarão mercenário, o dono do mar – qui devorant plebem meam –, antes que desapareça no lodo dos subterrâneos.

*Poeta e Jornalista / DRT-MA nº 788
contatos: cesarte@elo.com.br



Escrito por Zema Ribeiro às 12h54
[   ] [ envie esta mensagem ]




Deu no JB de 4/11

Publicado na coluna Supersônicas, assinada por Tárik de Souza:

Dica de disco

Um dos fundadores do movimento Laborarte, autor de vários sambas-enredo da principal escola de samba de São Luís, a Turma do Quinto, o maranhense Cesar Teixeira, 52 anos, estréia sua versatilidade em Shopping Brazil. Intercalando composições agudas (Ray ban) e líricas (Met[amor]fose) com vinhetas folk (''Nós vem de areia branca/ nossa canoa é o mar'', de Dona Elza, da Dança do Caroço, de Tutóia), Cesar costura tradição e invenção.



Escrito por Zema Ribeiro às 10h02
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  23/04/2006 a 29/04/2006
  16/04/2006 a 22/04/2006
  09/04/2006 a 15/04/2006
  02/04/2006 a 08/04/2006
  26/03/2006 a 01/04/2006
  19/03/2006 a 25/03/2006
  12/03/2006 a 18/03/2006
  05/03/2006 a 11/03/2006
  26/02/2006 a 04/03/2006
  19/02/2006 a 25/02/2006
  12/02/2006 a 18/02/2006
  05/02/2006 a 11/02/2006
  29/01/2006 a 04/02/2006
  22/01/2006 a 28/01/2006
  15/01/2006 a 21/01/2006
  08/01/2006 a 14/01/2006
  01/01/2006 a 07/01/2006
  25/12/2005 a 31/12/2005
  18/12/2005 a 24/12/2005
  11/12/2005 a 17/12/2005
  04/12/2005 a 10/12/2005
  27/11/2005 a 03/12/2005
  20/11/2005 a 26/11/2005
  13/11/2005 a 19/11/2005
  06/11/2005 a 12/11/2005
  30/10/2005 a 05/11/2005
  23/10/2005 a 29/10/2005
  16/10/2005 a 22/10/2005
  09/10/2005 a 15/10/2005
  02/10/2005 a 08/10/2005
  25/09/2005 a 01/10/2005
  18/09/2005 a 24/09/2005
  11/09/2005 a 17/09/2005
  04/09/2005 a 10/09/2005
  28/08/2005 a 03/09/2005
  21/08/2005 a 27/08/2005
  14/08/2005 a 20/08/2005
  07/08/2005 a 13/08/2005
  31/07/2005 a 06/08/2005
  24/07/2005 a 30/07/2005
  17/07/2005 a 23/07/2005
  10/07/2005 a 16/07/2005
  03/07/2005 a 09/07/2005
  26/06/2005 a 02/07/2005
  19/06/2005 a 25/06/2005
  12/06/2005 a 18/06/2005
  29/05/2005 a 04/06/2005
  22/05/2005 a 28/05/2005
  15/05/2005 a 21/05/2005
  08/05/2005 a 14/05/2005
  01/05/2005 a 07/05/2005
  24/04/2005 a 30/04/2005
  17/04/2005 a 23/04/2005
  10/04/2005 a 16/04/2005
  03/04/2005 a 09/04/2005
  27/03/2005 a 02/04/2005
  20/03/2005 a 26/03/2005
  13/03/2005 a 19/03/2005
  06/03/2005 a 12/03/2005
  27/02/2005 a 05/03/2005
  20/02/2005 a 26/02/2005
  13/02/2005 a 19/02/2005


Outros sites
  A Casa das Mil Portas
  Ademir Assunção
  Adriana Vaz
  Agenda do Samba & Choro
  Alex Castro
  Andréa Del Fuego
  Aninha CBO
  Antonia Pellegrino
  Augusto Paim
  Bactéria
  Blônicas
  Bruna Barbieri
  Bruno Barata
  Carlos Machado
  Carolina Libério
  Chico Piancó
  Cláudio Daniel
  Crib Tanaka
  Cronópios
  Cy D'Olímpio
  Dimas
  Discos do Brasil
  Dissonância
  Domínio Público
  Eduardo Patrício
  Elisa Andrade Buzzo
  Franciel Cruz
  Gisele Brasil
  Guesa Errante
  Idelber Avelar
  Índigo
  Ivana Arruda Leite
  Jana Campos Lobo
  Jane Maciel
  João Filho
  João Paulo Cuenca
  João Simas
  Joca Reiners Terron
  José Patrício Neto
  Kepler Ribeiro
  Lau Siqueira
  Malvados
  Manu Maia
  Marcelino Freire
  Marcelo Sahea
  Marcos Fábio
  Mariana Bradford
  Márcio Jerry
  Mário Bortolotto
  Mário Coivara
  Mauro Ferreira
  Movimento Literatura Urgente
  O Caixote
  Overmundo
  Paralelos
  Pataugaza
  Pedro Alexandre Sanches
  Portal Literal
  Rabisco
  Reuben
  Ricardo Aleixo
  Roberto Kenard
  Rogério Tomaz Jr.
  Ronaldo Bressane
  Ronaldo Robson
  Santiago Nazarian
  Taila
  Trip
  V. Lima
  Walter Rodrigues
  Xico Sá
Votação
  Dê uma nota para meu blog