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As Memórias Nada Tristes das Putas de García Márquez
[texto nosso publicado no Diário da Manhã de hoje. Por lá, domingo que vem, 20/11, começo a fazer a coluna Diário Cultural]
Afastado dos romances há dez anos, o colombiano, que já recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, retorna com uma narrativa que insere-se na tradição de ninfetas à altura da Lolita de Nabokov.
Antes de tudo, ou de mais nada, "Memória de Minhas Putas Tristes" (2005, Ed. Record, 127 págs., R$ 25,00 em média), mais recente título da lavra de Gabriel García Márquez é uma história de amor. Engana-se quem pensa que o autor colombiano foi acometido da síndrome de Nick Hornby em Alta Fidelidade (nenhuma crítica aqui ao autor inglês) e desate a sair por aí fazendo listinhas das cinco melhores ou piores noites de sexo pago que já teve.
Um cronista dominical, de gosto refinado e gozando de certo prestígio junto aos leitores do jornal onde escreve, no dia do aniversário de seus noventa anos, resolve presentear-se com algo no mínimo inusitado: "uma noite de amor louco com uma adolescente virgem", como escreve GGM já na primeira página da narrativa. Recorre a Rosa Cabarcas, sua alcoviteira de longa data. E daí se desenrola a história numa literatura que exige fôlego do leitor: curta e com a edição agradável, é impossível parar antes de chegarmos ao fim, se é que há fim.
Findando um período de dez anos longe dos romances, o escritor, Prêmio Nobel de Literatura presenteia-nos com essa narrativa que chega para, ao menos na aparência, como frisado na orelha do livro, ser colocada ao lado da Lolita de Nabokov. Em Memória de Minhas Putas Tristes (título mantido do original pelo conceituado tradutor Eric Nepomuceno), há espaços ainda para citações d'A Bela Adormecida e o mote, confessa GGM, vem de "A Casa das Belas Adormecidas", de Yasunari Kawabata.
Escrito por Zema Ribeiro às 12h57
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Ainda o desencarte do Colunão
Sem o Colunão, JP desequilibra Ed Wilson Araújo * As leituras dominicais seguem temporariamente sem o Colunão, uma das últimas reservas de debate e exercício do contraditório no jornalismo maranhense. O semanário editado pelo jornalista Walter Rodrigues, encartado no Jornal Pequeno, deixa de circular no matutino dos Bogéa por uma decisão unilateral do comando do JP.
Em 25 anos de jornalismo no Maranhão Walter Rodrigues acumulou méritos e também desafetos, fruto do trabalho de investigação que denunciou delegados torturadores, esquemas de corrupção, crime organizado, nepotismo no Judiciário e um rol de irregularidades no sarneísmo ou nos diversos espectros da oposição. Recentemente, enfrentou quase solitário uma posição contrária aos interesses da Companhia Vale do Rio Doce na instalação do pólo siderúrgico na ilha de São Luís e, por fim, criticou o projeto expansionista da Alumar em frontal desrespeito aos direitos trabalhistas.
As divergências editoriais entre o Colunão e o JP já vinham ocorrendo. Aos poucos, as manchetes do semanário e até o selo saíram da capa do diário. Mas o maior motivo, segundo Rodrigues, foi a pressão do gerente extraordinário do Médio Mearim, José Vieira, ex-prefeito de Bacabal. Vieira é aliado do diretor-geral do Jornal Pequeno, Lourival Bogéa, na eclética “cruzada” oposicionista que se forma para derrotar o sarneísmo.
Aos 54 anos, o glorioso Jornal Pequeno aproxima-se da maturidade abrindo atalhos no caminho traçado pelo seu fundador, Ribamar Bogéa. Focado no anti-sarneísmo, o jornal aderiu à Frente de Libertação do Maranhão virando pregoeiro do governador José Reinaldo, que vinha combatendo desde a eleição de 2002, acusando-o de abuso de poder econômico na campanha.
Não há como negar que em toda a sua construção simbólica o JP encampou boas causas. Cobriu com objetividade crítica vários episódios da política maranhense, acolheu os opositores da implantação da Alumar na década de 1980, denunciou os desvios de verbas públicas e projetos fantasmas da oligarquia, teve papel destacado na cobertura da CPI do Crime Organizado e em muitas ocasiões foi o único a abrir espaço e repercutir os temas sugeridos pelos movimentos sociais. Em síntese, o diário dos Bogéa tem um papel importantíssimo na resistência ao coronelismo midiático no Maranhão.
Mas a compulsão pela derrota da oligarquia a qualquer custo leva o JP a cometer equívocos, como o desencarte do Colunão. No percurso informativo das manhãs de domingo o semanário de Walter Rodrigues tornou-se leitura obrigatória para balizar opiniões, informações e interpretações veiculadas pelos diários. O Colunão veio a ser a espinha dorsal encartada no JP, dando sobriedade à apaixonada tendência pedetista-reinaldista do jornal. A investigação perspicaz, o texto refinado e o humor sutil de Walter Rodrigues passaram a compor um ponto de referência, um porto seguro no vendaval de manchetes muitas vezes maniqueístas e fantasiosas, filtrando interesses de grupos políticos que se apropriam dos meios de comunicação.
O desencarte do Colunão deixa muitos leitores “órfãos” do jornalism o independente. E deste episódio tiram-se muitas reflexões. Uma delas sobre a forma como atuam jornais e jornalistas reféns de linhas editoriais guiadas por interesses privados. No Maranhão não há empresários no ramo da mídia. Existem políticos que controlam as empresas e tentam submeter os profissionais de comunicação aos interesses dos proprietários dos jornais, rádios e TVs. Mas nem todos aceitam a submissão ou passam a ser coniventes com os interesses dos financiadores. Aqui e acolá, jornalistas experientes e novatos resistem às imposições dos donos dos meios de comunicação.
Breve retorno ao combatente Walter Rodrigues e vida longa ao JP, torcendo para que o diário dos Bogéa não se apequene na luta para derrotar o sarneísmo.
* Ed Wilson Araújo é jornalista
Escrito por Zema Ribeiro às 10h14
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Maranhense vence Prêmio Nacional de Poesia
Cesar Teixeira foi o vencedor do 3º Prêmio Nacional de Poesia Cidade de Ipatinga (MG) pelo conjunto de poemas intitulado “Hóstias de Sal e Paixão”. Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o Prêmio faz parte do Circuito de Literatura do Clube dos Escritores de Ipatinga (CLESI), tendo uma média anual de 2.500 participantes de todo o Brasil. A festa de premiação está marcada para o dia 19 de novembro, no Teatro do Centro Cultural Usiminas, em Ipatinga-Minas Gerais.
Escrito por Zema Ribeiro às 09h38
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Zumbi está vivo, o quilombo é aqui!
[texto nosso publicado no Diário da Manhã de ontem]
Diversas manifestações movimentam o mês da Consciência Negra em todo o país. Maranhão leva trezentos à Marcha Zumbi + 10 em Brasília, no próximo dia 16/11. Pólos, em São Luís e Paço do Lumiar, promovem atos para a leitura de cartas de reivindicação.
Diversas entidades do movimento social preparam-se para celebrar, dia 20 de novembro próximo, o Dia Nacional da Consciência Negra. A data, já tradicionalmente festejada pelo Movimento Negro, esse ano ganha forças: seu maior ícone, o líder Zumbi dos Palmares, assassinado em 1695 pelas tropas do governo colonial brasileiro, chega aos 310 anos de imortalidade.
Na próxima quarta-feira, 16/11, acontece em Brasília/DF, a Marcha Zumbi + 10, que levará até a capital federal as reivindicações da população afrodescendente, visando, principalmente, a aprovação do estatuto da igualdade racial. A delegação maranhense é composta por trezentas pessoas, eleitas em atividades prévias à realização da manifestação. Estas atividades aconteceram através da reunião de várias entidades: Centro de Cultura Negra (CCN/MA), Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PRENEC), Grupos de Mulheres Negras Mãe Andresa, Grupo de Dança Afro-Malungos (GDAM) e Conselho Municipal das Populações Afrodescendentes (COMAFRO).
Após a realização da Marcha Zumbi + 10, em Brasília, as celebrações/reivindicações continuam, localmente, em cinco pólos das periferias de São Luís e Paço do Lumiar, que estão organizando uma série de atividades alusivas ao dia da consciência negra. São eles: Coroadinho, Divinéia, Itaqui-Bacanga e Liberdade na capital; e o pólo do Maiobão, em Paço do Lumiar. (veja abaixo locais e horários das atividades). Os pólos farão a leitura de cartas de reivindicação específicas, que serão entregues dia 21/11 na Assembléia Legislativa e Governo do Estado do Maranhão, além das Câmaras e Prefeituras Municipais de São Luís e Paço do Lumiar.
"Pelo Direito à Vida" é o principal grito dessas manifestações, tendo em vista a situação das populações pobres e negras do estado, massacradas diariamente pela ausência de políticas que possibilitem educação, cultura, saúde, esporte, lazer, oportunidades efetivas de geração de emprego e renda, acesso à terra, moradia digna, saneamento básico e, principalmente, garantia de respeito à diversidade étnico-racial, cultural e religiosa.
Locais e horários dos atos nos pólos
Coroadinho: Praça do Coroadinho, próximo à Fundação Bradesco, 16h. Divinéia: Avenida Brasil, ponto final da linha de ônibus, 16h. Itaqui-Bacanga: Praça Viva Vila Embratel, 16h. Liberdade: Concentração para a Marcha: Praça da Fé em Deus às 14h. Ato-show Zumbi + 10: Praça Mário Andreaza, final da linha de ônibus, às 19h. Maiobão: Associação de Moradores do Residencial Zumbi dos Palmares, 17h.
Escrito por Zema Ribeiro às 09h34
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um inédito do roberto kenard
[de seu próximo livro, "ozerodacidade", a ser publicado ano que vem]
o vitral anjos confabulam por trás do branco um rio nasce e estende sua magreza pombos descem sobre a estátua comem a tarde
Escrito por Zema Ribeiro às 12h58
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JP deixa de encartar o Colunão
Saiba o porquê clicando aqui...
Escrito por Zema Ribeiro às 09h26
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