Rumos rumo a 2006
[Diário Cultural de hoje]
Procurando o que fazer? Achou! Diário Cultural dá as dicas para o que há de melhor na Ilha do Amor. É conferir e escolher. E até o ano que vem!
Férias Jah!
Tem início amanhã, sexta-feira, 30, o projeto "Férias Jah", que realizará shows na Praça dos Catraieiros (Praia Grande). O som começa a rolar às 20h, com apresentação de grupo de Tambor de Crioula, seguindo após com a animação da Radio Zion. Para encerrar a noite, a atração principal sobe ao palco à meia-noite. O show inaugural é de Alê Muniz e Luciana Simões. Será cobrado couvert artístico de R$ 2,00 (dois reais), segundo a produção para o custeio de despesas como som, palco e iluminação, tendo em vista que o projeto não possui parcerias e/ou patrocínios. Após a estréia do projeto, acontecerão shows também às quartas-feiras, no mesmo espaço.
Armazém
Hoje, a partir das 21h, quem sobe ao palco do Armazém da Estrela (Rua da Estrela, Praia Grande) é o cantor e compositor maranhense Alberto Trabulsi, com variado repertório, incluindo canções autorais. Aquele espaço tem procurado privilegiar a boa música produzida no Maranhão, promovendo apresentações memoráveis. Um grupo de “neoetilic man” da redação deste matutino será, com certeza, encontrado por lá.
Dom Calamar
O Bar Theatro Dom Calamar apresenta dois show imperdíveis encerrando as atividades deste ano. Hoje quem sobe ao palco é a cantora Anna Cláudia, acompanhada de banda. Em "Passando a Limpo", vasto repertório da música popular brasileira, com destaque para a maranhense. Amanhã é a vez de Cláudio Leite interpretar composições de Vinicius de Moraes. Os shows têm início às 21h e o couvert artístico custa R$ 3,50. Maiores informações: (98) 3226-8244 e/ou domcalamar@uol.com.br
Zara
O intérprete maranhense se apresenta hoje, às 21h, no Landruá Mariscos (Av. Litorânea) e amanhã, no mesmo horário, na Pousada Buriti, em Barreirinhas/MA. Em primeira mão, Diário Cultural avisa: Zara já está em estúdio gravando seu segundo disco, batizado temporariamente de “Canções Impróprias”.
2006
Diário Cultural, em sua última edição do ano, aproveita para desejar a todos os leitores do Diário da Manhã, um feliz ano novo, cheio de realizações. E domingo que vem estaremos aqui, com a coluna inaugural do ano novo. Um grande abraço e até lá!
Escrito por Zema Ribeiro às 16h07
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dois (duas)
[dois poemas: o primeiro, do blogueiro que vos incomoda, já publicado diversas vezes (às vezes em e-mails de final de ano para diversos amigos); o segundo, letra de chico césar (a música também é dele), incluída em seu belo disco novo, o primeiro pela biscoito fino, sobre o qual escrevo aqui em breve]
instante de paz
quero libertar-me de todas as garras ficando preso apenas ao teu amor
quero todas as noites todas as farras saindo ileso quero nada de dor
quero dar-te flores nelas perfumes e cores melaço que adoce o nosso amargor
quero que o mundo pare por um segundo sendo para todo o sempre esse instante de paz
por que você não vem morar comigo?
por que você não vem morar comigo alimentar meu cão, meu ego cansei de ser assim, colega não sei mais ser só seu amigo
eu quero agora ser o seu amado você me deixa a perigo o amor me corta feito adaga mas vem você e afaga com afeto tão antigo
você não leva a sério o que eu digo e enche a taça que me embriaga me prega em cruz feito jesus de praga mas sempre me defende e compra minhas brigas
não ligo se é amor ou amizade vaga dizem que o amor a amizade estraga e esta a este tira-lhe o vigor
não ligo se é caretice ou romantismo brega um dia em mim essa aflição sossoga more comigo e traga o seu amor
adoro o jeito que você me pega me chama de meu nego, minha nega e quando me abraça e eu me entrego vem você e diz cuidado com esse apego
Escrito por Zema Ribeiro às 18h31
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Voltando...
[Diários Culturais de 25 e 27/12]
A música baiana de Xangai
Hoje é 25 de dezembro, data em que se comemora - ou ao menos se deveria - o nascimento de Jesus Cristo. Uma ótima dica de presentes - sem que a coluna embarque no consumismo barato - é a ressurreição de alguns títulos do catálogo da gravadora Kuarup. Diário Cultural esmiúça, minimamente, dois "Xangais" nas mal-traçadas a seguir.
Eugênio Avelino, o popular Xangai é, reconhecidamente um dos mais importantes cantadores do país. Baiano como o menestrel Elomar Figueira de Melo, a quem muito já gravou, ele une música "urbana" e a música "rural", aprendida principalmente com os aboios de vaqueiros, ele mesmo um, um dia.
A gravadora Kuarup, detentora de todo o catálogo de Xangai, recoloca no mercado, dois títulos do malungo: "Qué qui tu tem canário" (1981) e "Dos labutos" (1991), ao preço médio de R$ 24,90 cada.
No encarte do primeiro, escreve o parceiro José Carlos Capinam: "Na verdade parentesco bom não lhe falta: neto de Manezinho Araújo, irmão de Jackson do Pandeiro, primo de João do Vale e filho, como todos nós de Luiz Lua Gonzaga". O versátil compositor está certíssimo.
Também versátil, em canto e repertório, Xangai une compositores da estirpe do já citado Capinam, Jatobá, Hélio Contreiras, Ivanildo Vila Nova e o mestre Elomar. Para a festa, comparecem os músicos Contreiras (violão), Djalma Corrêa (percussão) e Marquinho (acordeon), apenas para citar alguns, além das participações especiais de Zé Ramalho e Almir Sater, empunhando violas de 10 cordas.
Em "Dos Labutos", quem escreve no encarte é Elomar, que traduz muito bem - talvez - a falta de reconhecimento dada aos verdadeiros gênios da música brasileira (como um todo): "um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos-pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas-inimigas. Remanescente que teima em guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz".
É de Elomar a faixa que batiza o disco (segundo canto do Auto da Catingueira); é ele mais um certeiro ao escrever sobre Xangai. "Dos Labutos" é outra bela festa, que reúne, entre músicos e compositores (alguns nas duas condições), Juraildes da Cruz, Jatobá, Salgado Maranhão, Elino Julião, Dílson Dória, Paulo Britto, Hélio Contreiras, Cao Alves, Oswaldinho, Jacques Morelenbaum e o maranhense Erivaldo Gomes, responsável pela percussão e efeitos do disco.
Para quem acha que a Bahia é "bunda pra lá, peito pra cá", a coluna recomenda, por ora, estes dois títulos. E fica, novamente, com o Capinam do encarte de "Dos Labutos": "Quantos cantos a Bahia têm? Tão difícil descobrir".
Retrospectiva Introspectiva 2005
Diário Cultural faz uma retrospectiva 2005 para além do ano que se encerra. Livros e discos - obras, enfim - fundamentais (ao menos sentimentalmente falando) que chegaram ao conhecimento deste colunista somente este ano, além de shows que ele viu.
Um: "Ô, Copacabana!", João Antonio - publicado originalmente em 1978, este livro traz João Antonio em sua melhor forma (melhor forma é modo de falar: o cara é sempre ótimo!): captando a alma das ruas, coisa que só os grandes cronistas sabem fazer. Relançamento luxuoso da Editora Cosac & Naify.
Dois: "Reminiscências do Sol Quadrado", Mário Lago - de 1979, este livro traz as memórias bem humoradas e irônicas do compositor, dramaturgo, escritor e mais uma série de adjetivos que cabem muito bem em Mário Lago. É outro relançamento da C&N.
Três: "Real Grandeza", Jards Macalé - lançado este ano, este disco (literalmente redondo) traz diversas parcerias de JM com o eterno Waly Salomão. Com participações especiais de Adriana Calcanhoto, Luiz Melodia e Maria Bethânia, entre outros, tratamento luxuoso às obras dos mestres. Lançamento da Biscoito Fino.
Quatro: "Corpo Presente", João Paulo Cuenca - pela editora Planeta, o economista carioca estreou bem. Seu romance teve boa aceitação pela crítica (merecidamente) e ganhou elogios de Chico Buarque de Holanda: "Há um escritor novo de que gosto muito, o João Paulo Cuenca", diria o compositor. Corpo Presente está sendo adaptado para a televisão: virará mini-série na tela global.
Cinco: "Budapeste", Chico Buarque - Terceiro romance do compositor, conta a história de José Costa, ghostwritter que se torna tão real ao longo da narrativa, que acaba por "confundir" a cabeça do leitor: até onde aquilo tudo é ficção vinda da cabeça do autor de "Construção"?
Seis: dois shows que aconteceram (oh!) em São Luís/MA: Elomar (19/8) e Raimundo Sodré (25/11), ambos no Circo da Cidade e ambos produções da Muito Mais (leia-se Ópera Night). Dois shows de música baiana. Apresentações para um público pequeno, que sabe que a música baiana é bem mais que o axé (em seu sentido deturpado). Impagáveis, é o mínimo que se pode dizer.
Sete: a realização das conferências municipal e estadual de cultura. Garantiram representatividade maranhense na I Conferência Nacional de Cultura, realizada em Brasília/DF, entre os dias 13 e 16 do corrente. A cidade de Imperatriz/MA fez feio: não enviou delegados à I CNC.
Escrito por Zema Ribeiro às 10h41
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