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coisas que eu disse para minha namorada (não necessariamente nessa ordem; e isso, não necessariamente, é algo romântico)

1. caetano veloso cantando [músicas de] jorge ben é algo charmoso. gosto muito.
2. reuben é certeiro: anti-herói americano é massa! muito bom, mesmo, o filme.
3. vou escrever em meu blogue algo sobre usar pochete. uso há cinco, seis anos; daqui a pouco aparece um idiota numa novela usando e vão dizer que eu uso só por ter visto o galã usar. vão se foder!
4. quem é mais bonito? eu ou chico buarque?

[adivinhem a resposta dela para esta última]



Escrito por Zema Ribeiro às 15h16
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Um biscoito com recheio de maxixes

[Diário Cultural de ontem]

Autor de diversos sucessos como “Revelação” e “Cebola Cortada”, ambos gravados por Fagner, o piauiense Clodo Ferreira, dono de obra para além disso, arrisca-se a revisitar importante compositor brasileiro, Sinhô. O resultado é um disco que mantém as características originais da obra do carioca, sem que isso signifique repeti-lo. É “a eternidade do Sinhô na beleza do Clodo(ô)”, como nos antecipou o amigo jornalista Márcio Jerry.

Alguns se (me) perguntarão: quem é Clodo? Clodo Ferreira, compositor piauiense radicado em Brasília é irmão dos também piauienses e também compositores Clésio e Climério, com quem lançou seis LPs. Pouco? Certo. Com eles, Clodo escreveu versos do quilate de “minha mãe me olhava / e me dizia o seu silêncio agrário / a profissão do sonho / não tem salário” (da música “Silêncio Agrário”, registrada no disco dos três, “Tiro Certeiro”). Bonito, não? Mas ainda não suficiente? Pois Clodo é o compositor de alguns grandes sucessos de Fagner, como “Revelação” (em parceria com Clésio), “Cebola Cortada” (com Petrúcio Maia) e, entre outros, “Ave Coração” (com Zeca Bahia). Além de Fagner, diversos outros nomes da música brasileira o gravaram, a exemplo de Nara Leão, MPB-4, Ednardo e Amelinha. Marlui Miranda também tem relação com o trio de irmãos piauiense: cantou “Timon” (cidade maranhense vizinha à Teresina, capital do Piauí) num show dos três e depois a gravaria em disco.

Outros perguntarão quem é Sinhô. E responder que este era o apelido, pseudônimo ou coisa que o valha de José Barbosa da Silva (ou J. B. da Silva) não será suficiente. Sim, apesar de falecido em agosto de 1930, aos quarenta e dois anos, Sinhô é ainda um “ilustre desconhecido”, apesar do estrondoso sucesso de “Jura”, música de sua autoria, na voz de Zeca Pagodinho, que chegou à abertura de “O Cravo e a Rosa”, global novela das seis de outrora. Depois de “Jura”, talvez suas músicas mais conhecidas sejam “Gosto que me enrosco” (dos versos “Deus nos livre das mulheres de hoje em dia / desprezam o homem só por causa da orgia”) e “Maldito Costume” (“Eu juro acabar / com esse costume que você tem / falando de mim / dizendo horrores, me querendo bem”), esta última registrada por Ceumar em seu disco de estréia, o belíssimo “Dindinha” (1999), produzido por Zeca Baleiro.

O perfeito casamento de Clodo e Sinhô

Em “Clodo Ferreira interpreta Sinhô” (2005), o resultado de um árduo trabalho de pesquisa iniciado com um show em 2003, no Clube do Choro de Brasília/DF. As músicas registradas pelo compositor piauiense mantêm a estética adotada – ou talvez ditada, já que samba era, antes de estilo, a designação comum dada a “festas de pretos e pobres”, à época – entre o fim da década de 20 e início da de 30 do século passado: a cadência amaxixada das músicas.

O projeto, realizado entre março e agosto do ano passado, teve a concepção de Clodo Ferreira e produção executiva da ABRAVÍDEO (Associação Brasiliense de Apoio ao Vídeo no Movimento Popular); teve direção artística de Alencar 7 Cordas – que aparece tocando violão em algumas faixas – e foi patrocinado pela Eletrobrás, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Talvez uma revisitação de Sinhô fosse inútil, já que o grupo “Lira Carioca” (com o brilhante intérprete Marcos Sacramento em sua formação) já havia, recentemente, dedicado dois discos à obra do carioca. Mas Clodo não teve medo de arriscar e brinda-nos com este “capitoso vinho que nos embriaga com um só pinguinho” (da letra de “Maldito Costume”, registrada no disco); aqui é bom indispensável o vinho todo, digo, ouvir o disco inteiro.



Escrito por Zema Ribeiro às 12h07
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Correio da Bahia: Elomar

Dia 21/11/2005, demos nota aqui sobre o relançamento de três discos do menestrel baiano Elomar Figueira de Melo; leia aqui mais detalhes sobre. O link nos foi enviado pela amiga-leitora-professora Cipy Lopes, direto da Bahia.

Escrito por Zema Ribeiro às 16h44
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Diários Culturais. Feliz 2006!

E começou 2006! Sem internet em casa e desempregado, o blogueiro vai se virando. Qualquer coisa, batam o fio (por qualquer meio). Abaixo os dois primeiros Diários Culturais do ano.

Um 2006 cheio de poesia para todos!

Ainda de ressaca do reveillon, o colunista arrisca um breve texto sobre o resultado da categoria “poesia” do Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís; e arrisca (-se) ainda a deixar um poema desejoso de um feliz 2006 a todos os leitores do Diário da Manhã.

São Luís, Terra de poetas - ruins (incluindo este colunista)

Com bastante atraso, saiu finalmente o resultado do XXIX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís. Os nomes dos vencedores foram divulgados na última quarta-feira, 28/12. Na categoria “poesia”, o resultado causou revolta. E não digo que causou espanto por que algumas pessoas já o conheciam: não houve vencedor e/ou menção honrosa. Diário Cultural não acredita que entre trinta e quatro participantes (esse foi o número de trabalhos inscritos para a categoria), não houvesse um trabalho com mérito e nível para a premiação. Entre os concorrentes estavam Bruno Barata, Pataugaza (já escrevemos sobre seus blogues – repletos de boa poesia - por aqui), Dyl Pires (também blogueiro, já venceu uma das edições anteriores do concurso) e este missivista, apenas para citar alguns.

A comissão julgadora da categoria era formada por Sebastião Moreira Duarte, Laura Amélia Damous e Francisco Ribeiro Silva Jr. Com todo respeito aos intelectuais: será que esperavam encontrar Nauros Machados e Josés Chagas inscritos? O concurso não é para revelar novos talentos?

A todos, um feliz 2006! Deixo, por ora, um poema cometido tempos atrás, já conhecido de alguns amigos. É meu “clichê” desejoso de que esses “instantes de paz” encham todo o ano que se inicia.

Instante de paz

Quero libertar-me
de todas as garras
ficando preso
apenas ao teu amor.

Quero todas as noites
todas as farras
saindo ileso
quero nada de dor.

Quero dar-te flores
nelas, perfumes e cores,
melaço que adoce
o nosso amargor.

Quero que o mundo
pare por um  segundo
sendo para todo o sempre
esse instante de paz.


De Uns Tempos Pra Cá: perfeita trilha de amor perfeito

Com o sexto disco de carreira – “De Uns Tempos Pra Cá” – o paraibano Chico César estréia na Biscoito Fino. O resultado é um belo trabalho, sob todos os aspectos: musical, gráfico, emocional e outros tantos que o leitor/ouvinte queira/consiga descobrir.

Em 1994, Chico César era tido como uma promessa da “nova eme-pê-bê”; de forma arrojada, estreou com disco ao vivo (“Aos Vivos”, Velas, 1994) que tinha as ilustres participações de Lenine (que apesar da estréia em 1983, em disco que dividiu com Lula Queiroga, era tido ainda como uma promessa, também) e Lanny Gordin, uma espécie de “deus” da guitarra, famosíssimo por sua esquizofrenia e participações em antológicos discos de Gal Costa e Caetano Veloso à época da Tropicália. “À primeira vista” foi logo regravada por Daniela Mercury e chegou às telas globais em trilha sonora de novela; “Mama África” virou hit de rádio e essas músicas são, até hoje, das mais pedidas em shows do compositor.

O ano é 2005, o disco, o sexto. É hora de uma, digamos assim, reestréia. O paraibano de Catolé do Rocha entra para o cast da gravadora Biscoito Fino e manda para as lojas um fino biscoito cujas pérolas são recheadas pelos instrumentos do Quinteto da Paraíba (Yerko Tabilo, violino; Ronedilk Dantas, violino; Samuel Espinoza, viola; Nelson Videla, violoncelo; e Xisto Medeiros, baixo acústico) – com quem Chico César já havia gravado quando de sua participação no disco “Brasilerança” (Kuarup, 2001), de Xangai. A faixa lá registrada, “Utopia”, repete-se, belamente aqui, sem a presença do baiano.

“De Uns Tempos Pra Cá” (R$ 29,90, em média) é, a propósito, um título acertado. Os ouvintes podem arriscar-se a dizer, e acertar, que “de uns tempos pra cá”, a obra de Chico César vem tomando novos elementos, ganhando unidade, sem que isso signifique tornar-se chata ou repetitiva.

Com competência e propriedade, Chico recria obras alheias: aqui aparecem “Cálice” (Gilberto Gil e Chico Buarque) e “A nível de” (João Bosco e Aldir Blanc), além de “Outono aqui”, versão dele para “Autumn leaves” (Joseph Kosma, Jacques Prevert e Johnny Mercer).

Uma forma de ouvirmos “De Uns Tempos Pra Cá” é como um roteiro. Há peças “cinematográficas” como “Por causa de um ingresso do festival matou roqueira de 15 anos”, onde aparece a conterrânea Elba Ramalho e “Pra cinema”, faixa que abre o disco. No encarte – com belo tratamento gráfico, como é de praxe em lançamentos da BF – a cada faixa, uma nota, como alguém que rabisca as bordas de um livro que lê. Ou que escreve, como é o caso, aqui.

Trilha sonora para namoro? Perfeito. Perfeita trilha sonora de amor perfeito. A faixa-título, “Alcaçuz” e “Por que você não vem morar comigo?” são rasgadas declarações de amor rasgado – redundâncias intencionais.



Escrito por Zema Ribeiro às 16h44
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