 |
|
|
Eu não canso de ouvir o disco. Eu não canso de falar. Eu não canso de cansar vocês. Eu não canso...
Ouvindo direto o Cruel de Sérgio Sampaio. Simplesmente divino. Abaixo, letra da faixa que abre o disco.
Em Nome de Deus (Sérgio Sampaio)
Eu nunca pensei que pudesse querer Alguma mulher como quero você Se o mago soubesse Juntasse o meu nome em S Ao seu nome em C Nas cartas de todo tarô que houver Em todo o I-Ching eu podia não crer Mas tudo é tão verde em seus olhos Não dá pra não ver Mas tudo é tão verde em seus olhos
Você que se esconda, que eu vou procurar Você nem se iluda, que eu vou lhe encontrar Você pode ir e sair e sumir por aí Que não vai se ocultar Eu vejo seu rastro onde ninguém mais vê Eu pego carona até na Challenger E vou nos anéis de Saturno buscar por você E vou nos anéis de Saturno
Sem ser João Batista, você batizou Meu corpo na crista das ondas do mar E aí me abriu feito ostra E colheu minha pérola pra Yemanjá Agora que estou à mercê de sua luz Em nome de Deus, me carregue Me pregue em sua cruz Em nome de Deus, me carregue
Escrito por Zema Ribeiro às 08h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
overmundo
iniciativa do competentíssimo hermano viana. a idéia é cobrir o brasil todo, como um todo. link novo aí ao lado.
Escrito por Zema Ribeiro às 13h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Duas notas
Recebi hoje, de assessorias, as duas notas abaixo. Como o próximo Diário Cultural só circulará domingo e os shows acontecem antes, aí vão.
1. Iniciativa do SESC, o projeto Marco Instrumental desta sexta-feira, 24/3, apresenta o guitarrista Marcos Lussaray, que está gravando seu primeiro disco solo, depois de já ter emprestado seu talento a artistas tão diversos como Zeca Baleiro, Alcione, Mano Bantu e Erick Donaldson, entre outros. O show acontece ao meio-dia, na área de vivência do SESC Deodoro.
2. A turnê nacional do espetáculo Piano e Voz, que reúne no palco a cantora Ná Ozzetti e o pianista André Mehmari, chega à São Luís neste sábado, 25/3. O show acontece no Teatro Arthur Azevedo a partir das 21h e conta com duas partes: em cada uma, o repertório é escolhido por um dos artistas. A turnê foi um dos projetos selecionados no primeiro edital do programa Natura Musical.
Escrito por Zema Ribeiro às 09h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Diário Cultural de hoje
Diversas, ligeiras
Diário Cultural recomenda um navegar pela Mnemozine, revista eletrônica que chega ao terceiro número. Dá conta ainda de oficina de cacuriá no Laborarte e da Semana do Teatro no Maranhão, além de matéria de Xico Sá para a Trip que está nas bancas.
Navegar é preciso! Mnemozine
Recebi, via e-mail, do amigo Edson Cruz (que edita o ótimo Cronópios, que completou recentemente um ano no ar e do qual este colunista é correspondente para o Maranhão), o aviso: a Mnemozine número 3 já está no ar. Trata-se de belíssima revista virtual, que traz na capa desta edição a poetisa Alice Ruiz. No endereço http://www.cronopios.com.br/hotsite%5Fmnemozine/ é possível conferir, além desta, as edições anteriores da revista, que sempre elege um “personagem”, a capa, no caso. Os anteriores são, não menos importantes, Pedro Xisto (número 2) e Paulo Leminski (na estréia). Clica lá!
Sobre Alice Ruiz, Paulo Leminski e Mnemozine, esta coluna terá que voltar ao assunto, que é muito, com certeza. Por enquanto, fica a dica.
Cacuriá no Labô
As oficinas de Cacuriá, ministradas pelo Grupo Laborarte já começaram e estão ainda recebendo inscrições. As aulas acontecem às 20h, toda segunda-feira, no tradicional Casarão 42 da rua Jansen Müller, Centro, sede do Laborarte. Maiores informações pelo telefone (98) 3232-2677.
Semana do Teatro no Maranhão
Entre os dias 27 de março e 2 de abril, acontece a Semana do Teatro no Maranhão, em comemoração ao Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo (ambas em 27 de março). As inscrições podem ser feitas, de segunda a sexta, até o dia 24 de março, das 14h às 19h. A programação cultural contará com a apresentação de grupos locais e de São Paulo, Ceará e Pernambuco. A programação completa pode ser conferida em http://geocities.yahoo.com.br/semanadoteatro, página desenvolvida pela Comissão Organizadora do evento. Maiores informações: (98) 3218-9900.
A Trip, o Xico e o Rei
A Revista Trip número 142 está nas bancas. Um especial sobre educação, com o assunto em diversas vertentes. Prova da competência de quem faz a revista, que caminha para vinte anos de inteligência, entre outras inúmeras qualidades. Sem fugir da pauta, hilária matéria de Xico Sá, que acompanha o cruzeiro do rei Roberto Carlos, responsável pela educação sentimental de gerações país afora. Confira! Aperitivos em http://www.trip.com.br
Escrito por Zema Ribeiro às 09h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Alice, Sérgio...
1. Alice Ruiz é a "personagem" do número 3 da Revista Mnemozine, que já está no ar. Uma beleza, a revista, que estreou com o personagem Paulo Leminski. Confira, clicando aqui.
2. "Toco violão como quem toca o corpo de uma mulher. Sem conhecer as zonas erógenas". Sérgio Sampaio, em entrevista do encarte de Cruel, lançamento da Saravá Discos, mais uma bela sacada de Zeca Baleiro. Sobre o disco escrevo por aqui em breve.
Escrito por Zema Ribeiro às 17h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
SMDH lança revista durante monitoramento do PIDESC
[Diário Cultural de hoje; o blogueiro aqui tá na publicação, como revisor]
Atividade de monitoramento do PIDESC acontece amanhã, com participação de diversos segmentos da sociedade civil. Será elaborado o informe alternativo para apresentação ao comitê DESC/ONU e a SMDH aproveita a ocasião para lançar “Homicídio: um crime contra a Vida”, primeiro número da revista Direitos Humanos.
Acontece amanhã, a partir das 8h, a Audiência Pública de Monitoramento do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), no Auditório Che Guevara do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413/417, Centro). Os trabalhos serão coordenados pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), com a participação de diversas organizações com atuação na defesa e promoção dos direitos humanos no Maranhão, entre as quais podemos destacar o Centro de Cultura Negra (CCN/MA) e o Grupo Gayvota.
O que é PIDESC
O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) foi adotado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 16 de dezembro de 1966, entrando em vigor na ordem internacional em 3 de janeiro de 1976. Não bastasse a lentidão mundial, o pacto, composto por trinta e um artigos, foi ratificado no Brasil somente em 1992.
Dividido em cinco partes, o PIDESC trata da livre determinação dos povos, da responsabilidade dos estados partes em assegurar o pleno exercício dos direitos garantidos no pacto, do reconhecimento do direito ao trabalho, à seguridade social, à alimentação, vestuário e moradia, à saúde plena, à educação, à participação cultural e dispõe também sobre a obrigação dos estados em apresentar relatórios sobre as medidas tomadas em seus territórios para assegurar o seu cumprimento.
Informe alternativo
O relatório que será elaborado durante as atividades de amanhã é chamado de informe alternativo e será assim denominado até a apresentação de um relatório oficial por parte do Governo Federal. A partir daí, o relatório da sociedade civil será chamado contra-informe.
O primeiro informe alternativo foi construído em 1999/2000, e apresentado ao Comitê DESC/ONU em 2000 pelas entidades que coordenaram o processo: Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal.
O segundo informe oficial do Brasil deve ser apresentado até junho deste ano, o que torna importantíssima a atividade desta quarta-feira, quando serão verificados os avanços, limites, retrocessos, possibilidades e desafios enfrentados pelo Estado Brasileiro na esfera administrativa (política e orçamento públicos), legislativa e judiciária para a garantia desses direitos.
Lançamento
A SMDH aproveitará a ocasião para lançar o primeiro número da revista “Direitos Humanos”, que sai com tiragem inicial de mil exemplares. A temática é “Homicídio: um crime contra a Vida” e traz diversos artigos e reflexões sobre o assunto, além de um acompanhamento de notícias de homicídio publicadas em jornais impressos da capital maranhense.
Serviço
O quê: Monitoramento do PIDESC e lançamento da revista Direitos Humanos. Quando: amanhã, a partir de 8h. Onde: Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413/417, Centro). Maiores informações: http://www.smdh.org.br, (98) 3231-1601, 3231-1897.
Escrito por Zema Ribeiro às 09h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Quando não é um, é outro
Bom, alguns de vocês devem estar acompanhando as Jeronimadas da Veja – e do próprio Jerônimo Teixeira – blogues afora (vide, aí ao lado, os espaços do Ademir, do Marcelino, do Bressane etc.). Quando não é a criança mimada, é o chefe. Pois bem, a Veja desta semana destaca o ex-presidente FHC em matéria de capa e dezesseis páginas no miolo da porc... digo, revista. Sob o título “A arte de ser FHC”, o “especial”, assinado por Mario Sabino, redator-chefe da revista, dá conta do lançamento de “A arte da política: a história que vivi”. Segundo o veículo semanal, “o livro mais esperado do ano”. Peraí: esperado por quem? Eu não vou dizer nada.
É claro – e não poderia ser diferente – que a matéria (dá pra chamar assim?) é tendenciosa. Não poderia ser diferente, repito. Vamos lá, um trecho, com a palavra, FHC, no “esperadíssimo” livro:
“Por ‘indigesto’ que fosse o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, procurei tratá-los como um dos novos movimentos da sociedade. Tentei dialogar com seus dirigentes, nos limites da lei, mesmo quando, por exemplo, militantes invadiram a fazenda que pertencia à minha família em Buritis, no noroeste de Minas Gerais. Confesso, entretanto, que por mais que os recebesse e me esforçasse para apoiar o programa de reforma agrária, o diálogo revelou-se impossível. Lembro-me de que, na primeira reunião que tive com dirigentes do MST no Planalto, eles deixavam logo claro que pretendiam antes provocar um fato na mídia do que dialogar. Era um pequeno grupo, e logo no início do encontro um deles, que portava a bandeira verde, branca e vermelha do movimento, perguntou: “Podemos abrir a bandeira?” Respondi: “Não! Bandeira, aqui, só a do Brasil. Não pode, não.” De outra feita, o grupo, em atitude típica, entrou em minha sala sem tirar os bonés com o logotipo do movimento, atitude distante da que se espera de quem tem uma audiência no gabinete presidencial, seja quem for o Presidente. Estavam os principais dirigentes, entre os quais João Pedro Stédile e José Rainha Júnior. Logo no começo, um integrante do grupo dirigiu-se a mim de maneira desrespeitosa, chamando-me de ‘Fernando’. Olhei para ele e disse, cortando o tom inadequado: “O senhor está falando com quem?””.
Deu pra sentir o clima? Na capa da revista um FHC risonho, bonachão, ao lado dos dizeres: “Exclusivo – FHC explica FHC e o Brasil – Trechos inéditos do livro em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso revela os bastidores de seus dois mandatos”. Millôr já disse, sobre a literatura de Sarney: “é tão ruim, que quando você larga não quer mais pegar”, cito de memória, sem consulta. A de FHC deve ser a mesma coisa. É como “Os 2 Filhos de Francisco”: não vi, não gosto e pronto.
Não vou me alongar muito no assunto. Não merece. Mas transcrevo ainda, algumas perguntas da segunda parte da matéria, uma entrevista com o tucano, sob o título “Me considero de esquerda”. É pra rir ou pra chorar? Às perguntas, pois (algumas apenas, e sem comentários): 1. “Qual é o futuro do PT, se é que o partido tem futuro?”, 2. “Constata-se no seu livro que o senhor, como presidente, se empenhou profundamente nas discussões sobre os rumos a seguir na economia. Num mundo complexo como o de hoje, é possível um país como o Brasil ser liderado por alguém sem formação intelectual compatível?”, 3. “Na conclusão de A Arte da Política, o senhor diz que Lula se perdeu nos escaninhos do poder e suas facilidades. A falta de preparo intelectual não teria tido um papel nessa perdição?”, e 4. “O Brasil, então, ainda paga o custo PT?”.
Tirem suas próprias conclusões.
Escrito por Zema Ribeiro às 17h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Flores pra São José no "Avarandado" da capela
[Diário Cultural de ontem]
Num mundo cada vez mais vertical – não, nada a ver com política partidária –, competente cantora elabora um “tributo às varandas”. Talvez ela nem quisesse, mas consegue prestar também um tributo às flores e à São José – ao menos é esta a associação que o colunista consegue fazer, ao escrever sobre o disco no dia em que se celebra o dia do santo que batiza onze em cada dez maranhenses.
Como esta coluna é católica, mas nem tanto, não vamos aqui, celebrar o dia de São José. Quer dizer, não apenas. Hoje é dia do santo. E isso é, sim, um assunto para uma coluna “de cultura”. Mas fiquemos por aqui, num viva àquele que batiza tantos zés Maranhão – e país – afora, este colunista um deles. “Virge, como tem Zé lá na Paraíba”, cantaria o saudoso mestre Jackson do Pandeiro – ele também um José na pia batismal – em música assinada por Manezinho Araújo e Catulo de Paula. Bom, deixemos os Zés em paz, inclusive o santo, procissões à vontade e vamos ao assunto de hoje. Antes, meus parabéns aos amigos Raimundo Nonato – que não sei por que não é Zé também – e Gisele Brasil, vindos ao mundo em diferentes dezenoves de março.
E hoje, aqui, escrevo sobre o “Avarandado”, disco de Ana Salvagni, esposa do violeiro Paulo Freire, com página na internet já recomendada por aqui. Esta “audição” aqui também anunciada na ocasião (Diário Cultural de 14 de março). Vale dizer que isso de ser “esposa de Paulo Freire” é mero detalhe. A participação dele no disco resume-se – o que não é pouco, diga-se – a três adaptações de temas de domínio público – “Balaio”, “Beira-mar dos canoeiros” e “Maricota” – e a composição de uma das faixas, parceria com Milton Dornellas – “A luz dos olhos dela”, que não é dito no encarte, mas deve ter sido composta em homenagem à Ana, de belos olhos, vistos no mesmo encarte onde ela escreve, explicando o título do disco – sim, a canção de Caetano, gravada por Gal Costa em fins dos anos sessenta, século vinte: “Varandas são espaços abertos e, ao mesmo tempo, acolhedores. Uma boa varanda nos convida a sentar e a desfrutar de um livro, da conversa com um amigo, do canto de um passarinho ou, simplesmente, do momento. Algumas músicas foram feitas para serem ouvidas em amplas e lindas varandas. No mais das vezes, lá dentro, na varanda da alma. Corpo descansado e coração avarandado”.
Calma, leitor: não há aí pretensão. É isso mesmo: “lá dentro, na varanda da alma”. Com certeza, “Você vai gostar”. Este, aliás, tema que abre o disco, composição de Elpídio dos Santos, já gravado por Dércio Marques em seu “Fulejo”, 1983 (naquele disco como “Casinha Branca”). “Satisfeito, vou levar você de braço dado atrás da procissão”, diz a letra. O santo lá de cima – literalmente – ainda não está satisfeito com tanta prece. Flores para ele. Rosas. “Das Rosas”, Dorival Caymmi comparece ao repertório. Festejo de santo que se preze tem que ter algo de profano. Após a missa, “Seresta” (única composição de Ana, parceria com José Eduardo Gramani). No melhor formato seresta: violão sete cordas e sax soprano – Swami Jr. e Mané Silveira. Abaixo os teclados sintetizadores!
Dia de São José, “Carta pro Zé” (Ricardo Matsuda): “a luz lá de cima pro meu amor sorrir, rezar”. Do menestrel Elomar, a tristeza – isso é um elogio! – revisitada com competência em “Incelença do amor retirante”, onde Ana é acompanhada apenas do acordeom de Toninho Ferragutti. Daí à alegria de “Balaio”, sem descontinuidade. Do repertório de Ataulfo Alves, “Favela” (Hékel Tavares e Joracy Camargo, o primeiro, plagiado por Fagner, que alterou uma palavra de sua “Você” e gravou “Penas do Tiê” como “folclore recolhido e adaptado”). “Você tem açúcar” (Roberto Martins e Osvaldo Santiago), apesar da óbvia rima fel/mel, é um chorinho que nada deve a grandes mestres do gênero. “A luz dos olhos dela” é seguida por “Rosa amarela” (Levi Ramiro, sobre tema tradicional alagoano). Rosas, aliás, não faltam nesse disco. Viva São José!
De Caetano Veloso, a faixa título, seguida por uma animada “Roda de ciranda” (adaptação de Edmilson Capelupi – que toca alguns violões e cavaquinhos no disco – para diversos temas do gênero, de Pernambuco). Linda! E assim permanece, “Além de Olinda” (José Eduardo Gramani). Entre dois temas de domínio público (“Beira-mar dos canoeiros” e “Maricota”, que fecha o disco), a presença maranhense de Dilu Melo, que compõe “Fiz a cama na varanda” (parceria com Ovídio Nunes), do verso “deu um vento na roseira”. Mais uma música que fala de rosa, de flor.
Não só na varanda: em qualquer lugar. “Avarandado”, um disco para se ouvir em festejos de qualquer santo, que todo dia é dia de um.
Escrito por Zema Ribeiro às 08h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |