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Diário Cultural de hoje

Entre feriados

Quatro tópicos ligeiros para a terça que inicia a semana do colunista no Diário, após o feriado de sexta e já esperando o feriado da próxima segunda. O colunista tem aproveitado bem – “ótimo!”, ele diz – seus feriados.

Labô no Rio

A turma do Laborarte vai pro Rio. De 27 a 30 de abril, o Tambor de Crioula do Laborarte e o Cacuriá de Dona Teté se apresentam e ministram oficinas no Teatro Cacilda Becker. Os ingressos para as apresentações – 27, 28 e 29, às 20h30min e 30 às 19h – custam R$ 15,00; as oficinas – 28 e 29; Tambor de Crioula às 14h e Cacuriá às 15h30min – custam R$ 30,00. Maiores informações: (21) 2265-9933.

Carioca

Já pode ser comprado no site da gravadora Biscoito Fino, o disco “Carioca”, de Chico Buarque. “Carioca” era o apelido de Chico nos tempos da Faculdade de Arquitetura em São Paulo, onde foi contemporâneo de nosso Chico Maranhão. Trata-se, na verdade, da pré-venda do disco (com entregas a partir do dia 4 de maio), primeiro de inéditas do compositor desde “As Cidades” (1998). No site há a informação de que em breve será vendido um kit, com cd e dvd, sobre o processo de composição de carioca. O preço – do cd simples – faz jus ao nome da gravadora: biscoito fino não é para qualquer um. R$ 36,90. O site da gravadora: http://www.biscoitofino.com.br

Prêmio ABA

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) recebe até 1º de maio inscrições de trabalhos monográficos para o seu 4º prêmio. O tema é “Antropologia e Direitos Humanos: direitos culturais, desigualdades e discriminações”. Os trabalhos devem ter no máximo cinqüenta páginas de texto corrido em fonte times new roman, com espaçamento 1,5. O resultado será divulgado em 14 de junho, e o prêmio pode chegar a até cinco mil reais. Os trabalhos podem ser enviados por e-mail (abaford@ims.uerj.br) ou para Presidência do Prêmio ABA, aos cuidados da professora Maria Luiza Heilborn, Concurso ABA/Ford, Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rua São Francisco Xavier, 524, 6º andar, Bloco E, CEP 20.550-013, Rio de Janeiro/RJ. Editais e maiores informações em http://www.antropologias.com.br

Navegar é preciso!

Volto hoje à série “Navegar é Preciso!”, capítulo perdi as contas. Isso, antes d’eu inventar aqui, e iniciar, a série “Resenha fora de hora”, onde escreverei sobre obras que não acabaram de ser lançadas/publicadas. Hoje recomendo o blogue do Ronaldo Robson, o Naldo. Poesia, opinião, crítica. Eu comentando com um amigo, ao lê-lo: “o legal de blogues é que a gente já não precisa tanto da ‘mídia convencional’”. Ao lerem As Vírgulas de Lilipute (http://asvirgulasdelilipute.zip.net) vocês vão entender o que estou falando.



Escrito por Zema Ribeiro às 10h06
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Sacramento

Marcos Sacramento é um dos mais interessantes intérpretes de samba contemporâneo. Contemporâneo o intérprete, não o samba. Este, atemporal. Vide o repertório de seu Memorável Samba: a música mais "nova" é "Notícia", de 1955.



Escrito por Zema Ribeiro às 09h57
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Duas boas notícias e um texto (nem tão bom assim)

A primeira é sobre Paisagem Feita de Tempo, o livro de Joãozinho Ribeiro, do qual já falei tantas vezes aqui (e ainda vou falar muito ao longo dessa semana): na gráfica, tudo certo. Lançamento sexta, vide convite, posts abaixo.

A segunda é sobre o, também tantas vezes já falado por cá, Colunão. Acabei de receber uma ligação de Walter Rodrigues. O número um do semanário independente já está na gráfica e sai amanhã. Então, a partir das 10h, você já poderá comprá-lo na sua banca ou jornaleiro preferido. Ou se quiser, pode clicar aí no blogue do Walter (link ao lado) e ver como assinar.

O texto abaixo, do blogueiro aqui, era para sair nessa edição inaugural da nova fase do Colunão. Por conta de espaço e do corre-corre desses problemas todos, fica de fora. Em tempo: Mainardi publicou, em sua coluna de ontem, uma tréplica ao Franklin Martins. Como ele não responde ao desafio proposto por aquele, não perderei meu tempo em comentar o que não vale a pena. No Colunão estou com outro texto, sobre O Sonhador Insone, de Sergio Cohn. Por hoje é só. E até!

As mainardices da revista (?) Veja

por Zema Ribeiro*

“Nossas cidades são as mais feias do mundo, a nossa literatura é muito pobre, a nossa música é repetitiva.” O autor dessa frase pariu quatro livros: Malthus (1989); Arquipélago (1992); Polígono das Secas (1995) e Contra o Brasil (1998). Todos com vendagem medíocre. Escreveu dois roteiros para o cinema: 16060 (1995) e Mater Dei (2001). Ambos fracassos de bilheteria. Estudou economia, levou bomba. Não é jornalista formado. Por que levar Diogo Mainardi a sério?”

O trecho acima é do texto introdutório à entrevista de Diogo Mainardi à Revista Trip (Páginas Negras, edição 118, de dezembro de 2003). Passado todo este (tanto) tempo, repito-me a pergunta: por que levar Diogo Mainardi a sério? Se aulas básicas de Sociologia no ensino médio nos garantem que “o homem é produto do meio”, podemos entender que o colunista-chato-de-galocha é o que é por escrever na/para a Revista (?) Veja. Se complicamos um pouco a questão e afirmamos o inverso, “o meio é produto do homem”, entendemos o porquê de a Veja ter chegado ao que chegou: a lastimável prática de um jornalismo (?) irresponsável, para dizer o mínimo.

Na edição 1952 de Veja, de 19 de abril de 2006, escreve Mainardi, no título de sua coluna: “Jornalistas são brasileiros”. Um título aparentemente inocente, não é? No texto: “Franklin Martins é o principal comentarista político da Rede Globo. Um de seus irmãos, Victor Martins, foi nomeado para uma diretoria da Agência Nacional do Petróleo. Os senadores que aprovaram seu nome levaram em conta o parentesco ilustre.” E mais adiante: “Ivanisa Teitelroit, mulher de Franklin Martins, também já mereceu sua parcela de cargos públicos. Deve ser a isso que Aloízio Mercadante se refere quando fala em “resistência democrática””. Assim, de saída, no primeiro parágrafo. E a insanidade de Mainardi não ataca apenas Franklin Martins. Mais: “Eliane Cantanhêde, chefe da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo, é mulher de Gilnei Rampazzo, um dos donos da GW, a produtora que cuidou das últimas campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e José Serra. Gilnei Rampazzi é sócio de Luiz Gonzáles, o marqueteiro escolhido pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin. Ele foi acusado pela Folha de S. Paulo de participar de um esquema de desvio de recursos da Nossa Caixa. Deve estar a maior confusão na casa de Eliane Cantanhêde. Lula Costa Pinto é outro jornalista confuso. Ex-jornalista. Ele é genro do ex-deputado Paes de Andrade e concunhado de Anderson Adauto, ministro dos Transportes lulista e receptador do mensalão. Lula Costa Pinto também se beneficiou de desvio de dinheiro público quando era assessor do deputado petista João Paulo Cunha.”

Procuradas pelo portal Comunique-se (http://www.comunique-se.com.br), Helena Chagas – “achincalhada” por Mainardi, embora o recorte acima não traga o trecho do texto – e Eliane Cantanhêde preferiram não se manifestar. A primeira afirmou que não se pode responder a sério um assunto tão absurdo; como me disse um amigo, via e-mail: “ele é o maior humorista da imprensa brasileira”. É, Mainardi é um palhaço! Pena que sem graça. A segunda, já citada pelo colunista de Veja anteriormente, preferiu não se manifestar sobre as conexões elaboradas por ele entre seu marido e o tucanato.

Da resposta de Luís Costa Pinto, ao mesmo portal, extraímos os trechos a seguir: “Ao contrário do que foi publicado na coluna “Jornalistas são brasileiros”, assinada pelo polemista profissional (se é que isso é profissão) Diogo Mainardi (se é que Mainardi tem profissão): 1- não houve “beneficiamento” de “dinheiro público” nem a mim nem a minha empresa; [...] 2- não sou, não fui e jamais serei concunhado do ex-ministro Anderson Adauto; [...] 3- sigo jornalista com registro profissional na Delegacia Regional do Trabalho e inscrição junto à Federação Nacional dos Jornalistas. [...] Mainardi não é jornalista. Mainardi nunca conseguiu completar um curso universitário. Nem “ex” qualquer coisa Mainardi conseguirá ser. [...]”

Franklin Martins, além, lançou-lhe um desafio (em resposta ao mesmo portal) intitulado “Desafio a um difamador”, trechos a seguir: “1- Não tive, em qualquer momento ou em qualquer instância, nada a ver com a nomeação de meu irmão, profissional conceituado na área de petróleo, para a diretoria da ANP. [...] O sr. Mainardi não é obrigado a acreditar no que digo. [...] Por isso, lanço-lhe um desafio. Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras vier a público e afirmar que o procurei pedindo apoio para o nome de meu irmão, me sentirei sem condições de seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora confirmar a invencionice do sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da “Veja” da coluna que assina na revista. Tudo ou nada, bola ou burica. O sr. Mainardi topa o desafio? [...] Se não topa o desafio, o sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador. [...] 2- Quanto à minha mulher, é funcionária pública há mais de 20 anos. E servidores públicos, sr. Mainardi, por incrível que lhes pareça, trabalham no serviço público. Não sei qual a razão de sua surpresa com o fato.”

Enquanto o PSDB consegue na justiça uma liminar para impedir a circulação do jornal da CUT, alegando que este faz propaganda petista, a revista (?) Veja propagandeia o tucanato (além da capa, desrespeitosa com o presidente Lula, acusando-o de pertencer a um “bando”, vide matéria “A lenta arrancada de Alckmin”, págs. 64 e 65). Revista e colunista foram feitos um para o outro, e vice-versa, se não vejamos: passa despercebida, mas uma notinha – Correções – ao fim da seção Cartas (pág. 37), na mesma edição dessas “mainardices” tod(l)as, diz: “Lula Costa Pinto é concunhado do ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (que não é acusado de ser receptor do mensalão), e não do ex-ministro Anderson Adauto, segundo informa a coluna de Diogo Mainardi desta edição”. Ora, se a revista percebe o erro antes da publicação, para quê deixá-lo sair?

O certo é que Mainardi nunca chegará a Paulo Francis – talvez seu mais íntimo sonho e frustração: até para ser chato é necessário ter talento.

Leia mais Zema Ribeiro em http://olhodeboi.zip.net



Escrito por Zema Ribeiro às 17h52
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Duas

Frei Pataugaza escreve cartas. Enquanto Reuben apronta mais uma das suas. É a primeira coisa que ele (Reuben) escreve e não me agrada.

Escrito por Zema Ribeiro às 09h57
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Diário Cultural de domingo

[Ontem deveria ter ido às bancas o nº 1 da nova fase do Colunão, semanário independente capitaneado por Walter Rodrigues. Não aconteceu assim. Mas sai hoje, no mais tardar amanhã. E o blogueiro aqui tá lá. Assim que sair, republico aqui. Até!]

Elegia Cesariana: o parto poético do músico

O arriscado e destemido mergulho do paraibano Chico César na praia profunda da poesia de fôlego. Em “Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade”, a declaração de amor por uma amiga, a declaração de amizade pela mulher amada, a declaração de amor e amizade por São Paulo, cidade que adotou o “paraíba” que ganhou o mundo.

Um “paraíba” perante a imponência da arquitetura dos prédios e sentimentos de São Paulo. Sem estranhamento. Admiração mútua, talvez não num primeiro instante. Um sentimento de amor, em vez de platônico, correspondido, enquanto amozade (soma de amor e amizade). Que a amizade não exclui o amor e vice-versa, versa o verso, declaração de amor para uma mulher. E a cidade. A cidade mulher. A mulher que representa a cidade.

1.551 versos, divididos em 141 estrofes compõem “Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade” (Editora Garamond, 2005, preço sob consulta em http://www.garamond.com.br), poema que Chico César dedica à amiga e parceira Tata Fernandes, ela a representação da mulher paulista/paulistana, o tipo. A mulher que freqüenta o círculo intelectual boêmio da cidade grande, que tem bom gosto literário, musical e – por que não? – etílico.

“Escrevi “Cantáteis” como um canto de amor e amizade a uma mulher, uma musa paulistana. Escrevi movido por esse sentimento híbrido (amozade) e que muitas vezes julgamos formados por partes que se negam: o amor e a amizade.”, conta Chico César, numa espécie de posfácio, no livro. “Escrevi (...) estimulado pela existência e consistência de poemas longos como “Os Cantos” de Erza Pound, “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, “Altazor” de Vicente Huidobro. Ou ainda “O Guesa”, de Souzândrade e “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Sei que o fato desses poemas existirem e pesarem decididamente na balança da literatura universal deveria me silenciar em definitivo. Mas deu-se o contrário. E cometi “Cantáteis”. Atribuo hoje à falta de juízo que acomete os apaixonados. Era como eu me encontrava. E me encontro”, completa.

Escrito em 1993, “Não num só fôlego, como seria mais heróico” – como diz o próprio Chico –, “Cantáteis” foi publicado ano passado, o mesmo 2005 em que o paraibano de Catolé do Rocha pôs na rua o disco mais lírico de sua carreira – “De Uns Tempos Pra Cá”, (Biscoito Fino, 2005, produzido por ele e Lenine) –, iniciada em 1994 com o ao vivo “Aos Vivos”.

Que Chico César é dos mais talentosos e competentes compositores que despontaram no cenário musical nacional – e internacional – nos fins do século passado, é notório e sabido por todos: dos que escarafuncham novidades em busca de coisas boas aos que o conheceram em trilha sonora de novela. Agora, (com)prova “Cantáteis”, que o jornalista de formação – o autor de “À Primeira Vista” e “Mama África” é graduado pela Universidade Federal da Paraíba – é também um erudito poeta popular, dada a facilidade com que parece brincar de pular corda com a tênue linha que separa estas “duas culturas”. Ainda bem que o músico não matou ou silenciou o poeta.

“Cantáteis” é o mergulho visceral e destemido de se cantar o amor por uma amiga, ou a amizade pela mulher amada. É um Chico César que não vai tocar no rádio nem na novela, e talvez por isso não vá fazer sucesso. Mas deveria, alinhado que está, de já, com os poemas citados pelo autor em sua opção por não silenciar.

Serviço

O quê: “Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade”
Quem: Chico César
Onde: Editora Garamond
Quanto: preço sob consulta no site http://www.garamond.com.br



Escrito por Zema Ribeiro às 09h37
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O Colunão reestréia hoje, no mais tardar terça-feira

[Transcrevo abaixo, e-mail de Walter Rodrigues sobre a não-circulação do Colunão ontem, data marcada para sua reestréia. Minha opinião sincera sobre o ocorrido: isso me cheira a boicote; primeiro, WR teve problemas para distribuir o jornal; agora, tem com a gráfica. Mas se os "poderosos" pensam que irão silenciá-lo, estão muito, muito enganados. Saiba como assinar lá no blogue dele, link ao lado]

De: Walter Rodrigues
Para: Undisclosed-Recipient
Data: 22/04/2006 17:06
Assunto: NOTÍCIA DO COLUNÃO - URGENTE (Detalhes só na segunda ou depois)

NOTÍCIA DO COLUNÃO

22.4.2006

Prezados leitores e amigos

Está pronto o nº. 1 do Colunão nova fase, agora independente tanto na linha editorial quanto na circulação, já que deixa de ser encarte de outro jornal, como ocorria até novembro do ano passado, para arriscar-se em orgulhoso vôo solo.

Está pronto na redação, na edição e na diagramação das matérias, e deveria circular neste domingo. Infelizmente, isso não vai acontecer. Problemas com a gráfica, alheios à minha vontade e capacidade de agir.

Estou tomando as providências necessárias para imprimir o semanário nesta segunda-feira, de modo a oferecê-lo aos assinantes e demais leitores ainda na segunda à noite, o mais tardar na madrugada ou amanhecer de terça. Se for preciso, roda-se o Colunão em Fortaleza ou Terezina ou Belém. É apenas um obstáculo a mais.

Admito a frustração do atraso imprevisto, mas isso não me abate nem me agacha. 

Grato pela atenção e pelo apoio.

Até breve,

Walter Rodrigues
Editor



Escrito por Zema Ribeiro às 09h24
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